Canja e Minestrone
Publicado no jornal "O Jogo" 08.03.2026
O dragão é uma espécie de “carro de combate” tático onde o golo do adversário é o inimigo. Mas os generais também sorriem: Rodrigo Mora em zonas mais baixas e próximo de Pepê confundiu, na primeira parte, o conjunto leonino e mostrou que o tal projeto de FC Porto sempre robusto também contempla, a médio-prazo, a criatividade.
Se pensas num jogo, pensas também nos seguintes. Em ciclo. Froholdt e Kiwior no banco até porque há vida para além da meia-final da Taça. Onde a qualidade tática imperou e, valha a verdade, também um pequeno travo de acidez fora das quatro linhas faz bem a um futebol que não é ópera.
Se em Inglaterra os treinadores bebem vinho, por cá preferem as sopas. Canja para um lado e talvez minestrone para o outro. Sem problema. O vinho até pode ficar para os presidentes: certo ou errado, há quem opte para um bom maduro reivindicativo. Já outros preferem o verde insulto.
Diogo Costa
Nota: 9
Ofensivo
O dragão até pode povoar o seu meio-campo e causar a confusão no oponente mas há fatores individuais que são comuns a todos os jogos. Caso de Diogo Costa e da sua capacidade ofensiva: é que os adversários chegam a temer que a bola fique nas mãos do guardião portista pois o contragolpe é feito logo de seguida e com toda a precisão. Num cenário onde todos os detalhes contam, o melhor guarda-redes pertence, e a larga distância, ao FC Porto.
Schjelderup
Nota: 8
Ascensão
Está mais disponível e rigoroso no que ao processo defensivo diz respeito, mas há atributos que pendem sempre para o lado do norueguês: em termos de jogo entrelinhas, na zona certa, tem uma capacidade de desequilíbrio que não abunda na liga. Mas a questão é outra: estava algo desaproveitado e Mourinho trabalhou-o ao ponto de hoje ser um dos imprescindíveis da equipa. E parte vital de uma estratégia de futuro que privilegia os jovens.
Lee Hyunju
Nota: 7
Interessante
É certo que os dois últimos jogos valeram zero pontos mas nada invalida um crescimento do Arouca que tem sido notório. O coreano Lee Hyunju aporta golo, capacidade de decisão e uma regularidade assinalável. Se em Famalicão nem tudo correu bem em termos ofensivos, nada como voltar atrás e lembrar desempenhos diante de Nacional – notável assistência para o golo inaugural – e Rio Ave. Rápido e lúcido, uma das referências da segunda volta.
Clássico? FC Porto favorito
A lesão de Aursnes é um verdadeiro tiro no porta-aviões: jogador mais estável fora das contas é sinal de menor equilíbrio. Até porque o Benfica precisa de ganhar e ainda não conseguir marcar um golo à fortaleza dos dragões esta época. E o FC Porto deu boa resposta em Alvalade, apesar da derrota: moral está tranquila.
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Gil Nunes @gilmoreiranunes

