Clube de Combate II
Publicado no jornal "O Jogo" 09.08.2026
É um FC Porto semelhante ao da época passada. O filme “Clube de Combate II”, do realizador Farioli, já está em exibição no cinema do dragão. Equipa robusta, pressionante e dificil de contrariar. E que promete muitos golos de bola parada. Eis a questão: vai haver espaço para o talento? Para o dito imprevisível que desmonta as táticas mais apuradas?
Não que tenha de se triturar para o Torreense para se ficar bem na fotografia. O contexto é outro: o demasiado laboratorial também é demasiado estudado e, lá está, mais fácil de contrariar. Este ano a diferença: Rodrigo Mora ficou no banco e quase ninguém se pronunciou, ao contrário do tumulto que aconteceu há um ano.
Não há receitas perfeitas e a época passada mostrou que o passar dos minutos, em certos casos, pode ser o inimigo do dragão. Ou também o melhor amigo: quando o FC Porto se põe a vencer, blinda-se. Para já é a equação do êxito.
Froholdt
Nota:8
Ainda assim
Diante do Torreense somou alguns erros que não são normais – sobretudo ao nível do passe – mas os grandes jogadores são assim: mesmo nos dias menos bons conseguem sacar algo de positivo e de fulcral. Como aconteceu no lance do golo, mostrando determinação em zona clara de finalização. E o que mais surpreende no jovem dinamarquês é a sua margem de progressão: por muito craque que seja, há espaço para se tornar ainda muito melhor jogador!
Tomás Araújo
Nota: 8
Vale o dobro
Ter um companheiro de setor que joga com o pé esquerdo – Lenglet – dá muito jeito, até porque indiretamente permite uma melhor abordagem ao nível da construção. Onde Tomás Araújo é de topo. Excelente na leitura da superioridade da faixa direita que consubstanciou o golo inaugural do Benfica e sempre preciso a quebrar linhas, quase como se de um médio se tratasse. Vale o dobro do que aquilo que tem mostrado. E Marco Silva já percebeu.
Koutsias
Nota: 8
Promete
Nunca se saberá se o facto de ter sido o primeiro a marcar na liga 2026/2027 foi um ato do destino, mas lá que o avançado grego promete muito, que disse ninguém duvide. Móvel, com muita garra, percebe-se que tem faro de golo e desenvoltura na hora de decidir. Depois de ter sido um dos destaques da Como Cup, voltou a mostrar atributos na Amoreira – até em todas as zonas da frente de ataque –e a mostrar que pode ser revelação da época.
Samu e Trubin
Em condições normais – segurança e jogo de pés que aporta – Samuel Soares é o número dois de Portugal logo a seguir ao intocável Diogo Costa. Se Trubin fosse português, o número dois continuaria a ser Rui Silva. Transição tranquila, até porque não faz sentido um guarda-redes de tanta qualidade continuar no banco.
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Gil Nunes @gilmoreiranunes

