Festa sem DJ
Publicado no jornal "O Jogo" 19.04.2026
O dragão foi eliminado pelo Forest porque não teve poder de fogo. Porque pecou na hora da finalização. Dois jogos à medida de Samú, que aproveitou o tempo de recuperação para tirar o curso de DJ. Contudo, faz mais falta na grande área do que na mesa de mistura. Ou os tais jogos em que se percebeu que o avançado espanhol é ausência pesada em jogos de maior responsabilidade, num contexto em que o prémio de consolação até nem é de lata: o FC Porto mostrou-se muito competente a jogar com dez e diante de um adversário da Premier League.
Se o DJ faltou à festa europeia, a nacional poderá ter todos os instrumentos. A conclusão é uma: se o dragão conquistar a liga, em maio ninguém se vai lembrar que houve uma equipa inglesa que atrapalhou. Até porque o FC Porto cresce e, valha a verdade, deu um salto de gigante deste a temporada passada onde, por esta altura, se arrastava para um final penoso.
William Gomes
Nota: 7
O tal lance
Falhou um golo feito em Nottingham mas a questão nem é essa: não pode é eclipsar-se depois de uma situação que acontece a todos. De resto, feitas as contas, até foi o único dragão que faturou nesta eliminatória e, porventura, o mais perigoso. Com dez, o FC Porto manteve dois jogadores na frente e o seu dinamismo foi importante para a equipa continuar a criar perigo. Até porque quem tem Froholt em campo pode dar-se ao luxo de jogar com dez.
Hjulmand
Nota: 9
Robustez
A eventual saída de Hjulmand no final da época será bem mais danosa para o Sporting do que a saída de Gyokeres. Em Londres, o dinamarquês foi o melhor dos leões: muito apto em termos de duelos individuais, soube ainda sair com critério dos novelos criados pelos ingleses e garantir a eficácia da zona defensiva quando a mesma foi apertada. Se o leão peca por não ter muita fisicalidade, dá um jeito tremendo ter uma âncora como Hjulmand.
Tiknaz
Nota: 7
O 3-2…
Se o FC Porto pecou por falta de poder de fogo, o Braga teve exatamente o contrário: quatro golos em cinco remates realizados mas a segunda parte dos arsenalistas valeu muito mais do que isso. Em destaque esteve Tiknaz: grande entrada em profundidade no lance que deu a grande penalidade e, para além disso, um verdadeiro cardápio de entrega, disciplina e resiliência. Mentalidade de ferro de um jovem turco com muita margem de progressão.
Braga: um desígnio nacional
Curioso: o Braga consegue enfrentar todas as equipas, mas sofre quando tem de desempenhar o papel de gigante. Seja como for, há doze anos que uma equipa portuguesa não vai a uma final europeia: a meia-final diante do Friburgo é um desígnio nacional. Onze milhões querem o Braga na final. Ou deveriam querer.
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