Fio de Prata
Mais quinze minutos e, mesmo com dez, o FC Porto teria virado o jogo. Porque o Sporting vive no arame. Ou por uma grande equipa que cresceu sem segundas linhas. O eventual fio de prata assentará bem a um leão que, com outro recrutamento, podia bem ser de ouro.
A questão é de futuro. Com vantagem para os dragões. É que o FC Porto caminha para um bloco compacto de duas equipas dentro de uma só, o que tornará o trabalho mais fácil e destinado ao retoque – mais soluções ofensivas, sobretudo do ponto de vista da criatividade. O negativo também existe: mesmo campeão, o percurso desta época terá de ser superado na próxima.
O Sporting terá de colmatar saídas previsíveis de elementos cruciais do seu miolo – Hjulmand e Morita à cabeça – ao mesmo tempo que terá de construir o tal bloco. Tal leva tempo. E tempo são pontos. Ou as invisíveis contas um dragão que segue para 2026/2027 na dianteira.
Rui Silva
Nota: 8
Herói
O guarda-redes dos leões até começou a época algo instável mas logo recuperou os seus índices de confiança. A defesa que realizou nos descontos é decisiva não pela espetacularidade, mas pela eficácia e frescura mental. O Sporting teve guarda-redes quando mais dele precisou. Tranquilidade, sentido de baliza e aquela sensação de que consegue ser uma espécie de herói invisível e sem grandes extravagâncias. Garantia de segurança no dragão.
Gabri Veiga
Nota: 7
Definição
Cresceu no último terço da época, apresentando ainda mais atributos ao nível da definição. Aquela jogada á futsal – entrada pela ala com serviço ao segundo poste – com que se construíram os golos frente ao Forest e Estoril tem marca de um médio espanhol que tem sido determinante num FC Porto de nota máxima em termos de bolas paradas. Se o trabalho ao nível das emoções é uma prioridade, mérito a um desenvolvimento harmonioso e inteligente.
Nabil Touaizi
Nota: 7
Regular
Um dos melhores laterais da liga e um elemento “bem sacado” pelos responsáveis do Alverca. Muito maduro taticamente, tem perfeitos timings ofensivos e defensivos, conjugados com aquela capacidade de desequilíbrio que é típica dos laterais que sabem fazer a diferença. Assistência preciosa e cruzamento com as medidas certas para o golo de Naves diante do Arouca, num jogo que garantiu a justa permanência de um Alverca que pratica bom futebol.
Festa da Taça
Em Fafe ou em Torres Vedras, a verdadeira prova de que a Taça de Portugal é a competição mais democrática do futebol português. Eliminatória equilibrada: se o compacto Fafe bem se pode queixar dos erros grosseiros dos seus guarda-redes, o Torreense fez prevalecer os seus bons valores individuais. Finalista justo.
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Gil Nunes @gilmoreiranunes

