Saco azul
A remontada em casa diante do Sporting em 2023/2024; o duplo 4-1 ao FC Porto na época seguinte; e o golo de Trubin na Liga dos Campeões há poucos meses. Desde há três temporadas, o Benfica é uma coletânea de momentos inesquecíveis sem consequências práticas em termos de títulos.
É que a questão do treinador até é residual. Para o Benfica, o ideal seria fazer o que o FC Porto fez na época passada: uma travagem a fundo, sem perspetivas de resultados imediatos, e preparação para um novo ciclo. Vendas com critério, uma equipa renovada com contratações certeiras assente numa imutável ideia de jogo que acolha os jovens talentos.
É lógico que Rui Costa – presidentes reeleitos também caem - não pode dizer aos sócios para comprarem um saco azul. Mas pode maquilhar a coisa e dizer que o saco é branco. Porque, no atual saco de gatos, até o São Bernardo (Silva) já se põe a assobiar para o lado.
Prpic
Nota:6
O paradoxo
É esquerdino e, em termos de primeira fase de construção, apresenta um tremendo potencial. No entanto, tanto desequilibra à frente como ainda à retaguarda. Abordagens fora de tempo, agressivas, e não respeitando a maturidade que é necessária à posição de central. Acaba a época como uma das mais interessantes contratações e, ao mesmo tempo, como um produto que precisa de amadurecer. Um dos mais enigmáticos paradoxos da liga portuguesa.
Mangas
Nota: 6
O T1
Custou ao Sporting o mesmo que um T1 em Lisboa, mas, findo uma época, também não ficou a valer o mesmo que uma moradia em Cascais. Ou seja, um negócio que não foi catastrófico, mas que também nunca se revelou como uma verdadeira alternativa a Maxi Araújo. Malgrado alguns apontamentos interessantes – Vitória e Arouca por exemplo – nunca se conseguiu afirmar, sobretudo num leão que perdeu a liga porque não teve segundas linhas hábeis.
Zalazar
Nota: 8
Risco. Zero
No leão, impõe-se dar prioridade ao miolo. Numa lógica de risco mínimo: opção por jogadores feitos, escapando-se a uma filosofia do passado em que os reforços vindos de longe não renderam. Sim, é caro, e só explodiu esta temporada. Mas Zalazar pode ocupar todas as zonas do ataque e dar uma ajuda ao meio-campo. Se o Sporting fez um negócio de recurso, o Braga fez uma jogada fenomenal: é que Travassos pode valer o dobro/triplo a curto-prazo.
Diogo Costa: se calhar ficar…
A Diogo Costa, que é um dos melhores do mundo, mercado não deve faltar e nada lhe pode ser apontado se optar por sair. De azul e branco, já fez o que lhe competia. Villas-Boas acena-lhe com a camisola 2 e o estatuto de lenda, e o FC Porto é uma equipa com potencial de futuro. Ficar ou sair? Se calhar ficar. Para já.
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Gil Nunes @gilmoreiranunes

